sábado, 1 de novembro de 2008

Cansa Sentir Quando se Pensa

Abaixo nota explicativa desta postagem

Cansa sentir quando se pensa.
No ar da noite a madrugar
Há uma solidão imensa
Que tem por corpo o frio do ar.
Neste momento insone e triste
Em que não sei quem hei de ser,
Pesa-me o informe real que existe
Na noite antes de amanhecer.

Tudo isto me parece tudo.
E é uma noite a ter um fim
Um negro astral silêncio surdo
E não poder viver assim.

(Tudo isto me parece tudo.
Mas noite, frio, negror sem fim,
Mundo mudo, silêncio mudo -
Ah, nada é isto, nada é assim!)

Fernando Pessoa

Nota explicativa desta postagem:

Andei toda a semana com um texto de uma jovem sobre um tema daqueles quentes, intensos e sofridos.. o AMOR!!
Apesar do meu tempo altamente reduzido, andei a fazer pesquisas de forma a encontrar um poema que pudesse homenagear esse sentimento, esses sentimentos.. mesmos quando as coisas não correm como nós sonhámos.. Não consegui arranjar o poema que queria.. não sei qual é, mas sei que já está escrito..
Esta poesia de Fernando Pessoa não é a ideal, mas é muito interessante.. e serve portanto para o dedicar à jovem que motivou esta postagem.. serve também para dedicar a várias pessoas que me estão próximas.. lembro agora de quatro.. cada uma especial.. Não as posso nomear, mas estão na minha caixinha mágica..

domingo, 12 de outubro de 2008

O regresso aos bancos da faculdade

Tanta emoção que tem se cruzado comigo nestes dias..
Tanta emoção que merecia aqui um espaço..
Enfim.. Maldito tempo! Bendito tempo..

Na passada terça-feira voltei à escola.. Quer dizer, voltei à escola como estudante..
É uma sensação muito engraçada, para quem é professor, sentar-me numa aula como aluno.. Terminei a minha licenciatura à pouco mais de um ano, mas já tinha saudades de estudar.. Se eu pudesse inscrevia-me aí nuns 10 cursos.. Optei por me dedicar ao aprofundamento na área da educação..

Mas o que eu quero aqui relatar são as emoções do 1.º dia de aulas..

Chego à cidade universitária uns 15 minutos antes do início das aulas.. Começo logo por sentir uma emoção menos boa, os nervos de não conseguir estacionar, tudo lotado.. Bem, lá consegui um espacinho entre o passeio e o caixote do lixo, junto a uma poça de água enorme que por sorte não me molhou todo quando vários carros passavam e eu estava a sair do carro.. Ainda por cima eu ia com umas calças clarinhas, mesmo boas para uma bela molha de água e lama.. Como o tempo estava a esgotar-se, lá fui eu à pressa, quase a correr, para a escola.. Cheio de nervos miúdinhos de entrar numa faculdade nova para mim e aulinhas que sonhei frequentar e que se tormaram realidade.. que estavam prestes a tornar-se realidade.. ainda por cima o professor da primeira disciplina já tinha sido meu professor na licenciatura..
Lá cheguei perto na sala 2, que tinha a porta rodeada de alunos (os meus colegas?) e pouco tempo depois chega o esperado professor, que me cumprimenta.. deixando-me numa sensação de alegria pelo reconhecimento e de constrangimento pelo facto de os meus futuros colegas repararem no referido cumprimento..
A primeira aula! Tal como eu imagina.. Vai ser um verdadeiro espectáculo.. Imagine-se que vou ter uma matéria sobre finanças escolares..
No decorrer da aula o professor pediu-nos que nos apresentassemos.. Quando chegou a minha vez referi o facto de ser professor de EMRC, o que causou alguns olhares da malta lá da frente.. Não percebi.. No final da aula esses colegas vieram falar comigo e convidaram-me para fazer parte do seu grupo para o trabalho da disciplina, com o argumento de eu ser católico.. Fiquei de boca aberta.. Depois percebi.. Um é protestante evangélico, outro protestante de outro ramo e outro é testemunha de Jeóva.. Consideram que eu devia ser um bom elemento para o seu grupo.. Claro que fiquem muito contente..
Depois fui lanchar ao bar e lá me juntei aos outros colegas que estavam na mesma situação que eu, estudantes novos naquela faculdade.. Um ambiente muito giro, cheio de partilhas..
E tanta coisa mais me aconteceu.. Tanta emoção sentida que ficam por relatar..

sábado, 20 de setembro de 2008

O CASAMENTO DO SOL E DA LUA

«A ETERNIZAÇÃO DAS NOSTALGIAS DE UM SONHO NÃO ACONTECIDO», este poderia ser o sub-título desta postagem.. mas não quero que seja.. apenas porque não poderia ser.. pelo que o sub-título desta postagem é:

A ETERNIZAÇÃO DO AMOR (como se houvesse amor fora da eternidade)



Passemos à explicação desta postagem. Hoje, dia 20 de Setembro de 2008, a eternidade humanizou-se no casamento do sol e da lua.. Nunca pensei que este momento chegasse.. Nunca pensei que este momento chegasse tão depressa..

Não dedico postagens a este assunto, nem quero dedicar.. há coisas que a caixinha mágica que me habita guarda só para si mesma.. Mas hoje tinha mesmo de ser..

De qualquer modo não vou falar muito do assunto.. até porque nem saberia como falar dele.. é algo de ETERNO, inacessível à nossa humana condição..

Há cerca de quatro anos atrás esta caixinha mágica voou para fora de mim mesmo, navegou pela eternidade e regressou para tomar conta do pseudo-racional e inssentimentalista que teimava reinar em mim.. imagine-se que me apaixonei pela Lua, qual Sol enamorado pela sua eterna amada..

Mas como dizem os poetas, e digo eu também, o Sol e a Lua jamais se unirão de forma tão trivial e mundana.. é algo que não pertence ao tempo e ao espaço.. é eterno.. Deus é eterno.. Deus é amor.. a eternidade é amor.. o Sol e a Lua têm uma ligação de amor.. uma ligação eterna.. uma ligação divina..

Mas imagine-se que hoje a eternidade humanizou-se!! O Sol e a Lua uniram-se oficialmente pela lei dos homens, consagrando assim o seu amor.. Como todo o amor vem de Deus, mesmo que o Sol não seja eu, o meu amor pela Lua, que também vem de Deus, chegará à Lua, independentemente do Sol.. Ou seja, o Sol e a Lua estão para sempre unidos, no tempo e no espaço e na eternidade..


Fica aqui a letra da música que conta a história.. cada palavra é especial e adequada..

Vieste como quem chega
Nos braços da madrugada
Trazias feno nos versos
Que me disseste calada

Trazias lendas e luas
Trazias sóis por nascer
Uma folha de aloendro
O teu corpo de mulher

Rio secreto e profundo
Correndo dentro do espanto
Trazia contigo o manto
Com que vestiste o meu mundo

Foste corpo imaculado
Nos quatro cantos do cio
Fogueira acesa do frio
Do meu amor desamado

Amor, amor chorar por ti será cantar
Amor, amor corpo de trigo e de luar
Amor, amor morrer por ti será nascer
Amor, amor corpo inventado de mulher

E foi tão bom possuir-te
Deitada no pensamento
Como se fosses incenso
Lançado ao sabor do vento

Ao meu amor nunca venhas
Tão minha sem avisar
Quero esperar-te num leito
Feito de linho e luar

Quero que sejas o nardo
Boca fechada de um grito
Que nos transforma a manhã
Nas léguas de um infinito

Quero que sejas perfume
Feno, raiz e vulcão
Asa, saudade e ciúme
Na palma da minha mão

Amor, amor chorar por ti será cantar
Amor, amor corpo de trigo e de luar
Amor, amor morrer por ti será nascer
Amor, amor corpo inventado de mulher

"Morrer por ti será nascer", Paco Bandeira

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Se

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Pudesse eu

Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Pra poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes.

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 17 de agosto de 2008

Nostalgias de um sonho não acontecido..

(Escrito no dia 15 de Agosto)

Antes de mais permitam-me que faça duas notas prévias:

1. Hoje foi um dia complexo para mim e para a minha, família que merecia sem dúvida um grande post, de qualquer não quero falar disso hoje..

2. Para todos aqueles que são assíduos a este singelo e insignificante blog o meu sincero pedido de desculpas por nunca mais ter escrito nada, mas tenho andado realmente numa “roda vida” com vários projectos novos, um dia também vos falo disso..

Hoje quero falar sobre as emoções que me invadiram no dia 15 de Agosto de 2004 (é verdade! Já lá vão 4 anos..) e que hoje ainda conservo na minha caixinha mágica..
Corria portanto o ano de 2004, o ano das grandes descobertas.. No ano em que descobri que aquele que eu teimava que vivesse em mim acabava de morrer definitivamente.. Aquele homem racional, frio e calculista deu lugar a este pobre emocionado com as coisas da vida.. Tudo isto graças a ti! Minha querida e distante Lua dos encantos e dos desencantos..

Um dia destes, ao acaso (como se as coisas acontecem por acaso, como se o acaso existisse.. Claro que existe!), ouvi uma música do José Cid que conta uma história simples, mas muito grande para mim, simplesmente por ser a minha..

Passo a transcrever a letra dessa canção, que se intitula “O melhor tempo da minha vida”:

«Foi só por curiosidade
Que tu estendeste a mão
Foi só mais uma aventura
Do teu ego sem paixão
Eu que fui todo ternura
Que foi todo o coração
Tarde de mais compreendi
Qual a tua intenção...

E no entanto obrigado, obrigado para sempre
Pois por mais tempo que eu viva
Eu nunca vou esquecer
Que tu mesmo sem querer
Me vieste oferecer
O melhor tempo da minha vida, o melhor tempo da minha vida, o melhor tempo da minha vida...

Os meus amigos de sempre
Vieram me avisar
Para ter cuidado contigo
Que mais tarde ia chorar.
Só que eu dei tudo por tudo
Julguei que tu poderias
Amar alguém que te amasse
Que te modificarias.

E no entanto obrigado, obrigado para sempre
Pois por mais tempo que eu viva
Eu nunca vou esquecer
Que tu mesmo sem querer
Me vieste oferecer
O melhor tempo da minha vida, o melhor tempo da minha vida, o melhor tempo da minha vida...

Foi o jogo do amor...
Um vencedor e um vencido,
Mas quem mais sofre, quem mais ama
É que sai enriquecido...

E no entanto obrigado, obrigado para sempre
Pois por mais tempo que eu viva
Eu nunca vou esquecer
Que tu mesmo sem querer
Me vieste oferecer
O melhor tempo da minha vida, o melhor tempo da minha vida, o melhor tempo da minha vida...

Que tu mesmo sem querer
Me vieste oferecer
O melhor tempo da minha vida, o melhor tempo da minha vida, o melhor tempo da minha
vida... »

Mas regressando ao 15 de Agosto de 2004.. Tal como este ano, nesse dia vim até Penha Garcia.. Desde esse ano que as saídas do Bombarral, nomeadamente as vindas a Penha Garcia transportam em si um sentimento de grande nostalgia.. Sei que parto, não sei se volto..

Fica uma das músicas do Grande Barroso, que sempre me vem à memória a 15 de Agosto de cada ano: “Em nome do feitiço acontecido”.